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Bispos na Guarani: sermões com ênfase na partilha, comunhão e ‘hipoteca social’

Publicado em 08 de março de 2010 às 12h13
Atualizado em 08 de março de 2010 às 17h32

Dom Edmilson * Dom Edimilson deixa a reflexão: “Que terra eu sou? Que semente quero ser?” E Dom Paulo: Dom Paulo“Uma empresa como a Guarani tem uma responsabilidade social tão grande quanto é o seu potencial”.

Os bispos Dom Edimilson e Dom Paulo, celebrantes da missa na Usina Guarani, de início da safra 2010/11, em sermões dirigidos aos trabalhadores, convidados e, em especial, aos dirigentes da empresa, deram ênfase à preocupação social, ao meio ambiente e, inclusive, o bispo da Diocese de Rio Preto, Dom Paulo, disse que a empresa possui uma ‘hipoteca social’.

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“A palavra de Deus sempre ilumina a realidade em que estamos vivendo”, iniciou a sua homilia Dom Edimilson, da Diocese de Barretos (responsável por 23 paróquias, inclusive as de Olímpia). “Deus sempre procurou educar o coração do homem na Justiça, na Partilha e na Comunhão em relação aos bens da terra. Ele nos toda a Terra, toda a Natureza”, completou, reforçando: “Portanto, todos temos uma responsabilidade em comum, tanto na comunhão quanto na partilha”.

O bispo disse, ainda, que “é bem verdade que o mal entrou no coração do homem e daí surgiu a avareza, a ganância, o desejo de dominar os outros, desestabilizando todo o espírito de comunhão e de partilha”, chamando a atenção também dos dirigentes: “Essa Palavra, de Matheus, tem de ser sentida e refletida também pelos dirigentes da empresa, tem de sentirem-se responsáveis, por Deus, tocados pelo talento que Deus lhes dá, para que este espírito divino possa surgir e prevalecer”.

Aos trabalhadores da Guarani, Dom Edmilson ressaltou que “reflitam também sobre a importância de preservarem este local, de onde tiram os seus sustentos, que vejam não apenas como fonte de lucro, mas também como um ambiente de comunhão e de participação”, e reafirmou: “O mal poderá surgir no coração tanto daquele que detém os meios de produção, como naquele que, utilizando-se dos meios de produção ganham o pão de cada dia, porque se o funcionário, por exemplo, está servindo mais ao dinheiro do que a Deus tudo também fica bagunçado”, fazendo referência à Campanha da Fraternidade 2010 (Não se pode servir a Deus e ao Dinheiro).

Fazendo alusão ao trecho lido do Evangelho, Dom Edimilson assinalou: “Se o semeador respeita o local em que está semeando, depositando a semente, se vai colocar a semente numa terra boa terá bons frutos, porém se o local for de espinhos, obviamente colherá espinhos. Então, devemos saber exatamente onde colocar os dons que Deus nos dá. Tem duas perspectivas para o semeador: uma, é a da reflexão ‘que tipo de terra eu sou para que Deus possa florescer’, e a outra é ‘que tipo de semente eu sou, onde é que eu me planto, onde me coloco, será que vou seguir a inspiração de Deus ou me jogarei em qualquer lugar, no vale tudo’. Quem vive no vale tudo paga também o seu preço”.

DOM PAULO

Por sua vez, o bispo Dom Paulo reforçou as palavras de seu antecessor, frisando “o quanto é importante celebrarmos uma missa em Ação de Graças e de Eucaristia a Deus, e depois é importante que os trabalhadores busquem a benção de Deus para esta luta de caminhada de progresso”.

Ele citou dois documentos da Igreja Católica Romana: um, do Papa Paulo VI: “Em toda propriedade privada pesa uma hipoteca social”, e explicou: “Que uma indústria, como esta, com o tamanho que tem, a responsabilidade social é muito grande também, com os trabalhadores, com a Natureza, com a vida”.

E, outro documento citado pelo bispo de Rio Preto é de autoria do Papa atual, Bento XVI, em uma de suas encíclicas, “Caridade na Verdade”, em que ele faz uma explanação sobre o desenvolvimento dos povos, do mundo, das indústrias, “inclusive do porte desta Guarani, que participa do processo de desenvolvimento do mundo, e principalmente de nosso País, e o Papa nos diz que o verdadeiro desenvolvimento acontece quando existe caridade e quando existe verdade, ou seja, quando existe dignidade”.

Dom Paulo, referindo-se mais especificamente à Usina Guarani, assinalou que “ela tem uma responsabilidade grande, já que o seu investimento também é enorme, e essa responsabilidade atinge também os trabalhadores, suas famílias, com o Brasil em seu todo, inclusive fora porque a empresa tem sua presença em outros países, daí eu deixo o incentivo para que a empresa, com toda essa dimensão que tem, esteja envolvida com a responsabilidade da própria vida, que haja dignidade para o nosso povo, e que Deus abençoe esta nova safra, que o povo não se machuque, não se fira nos canaviais, e que  haja vida e vida com dignidade. Que Deus abençoe a todos”.

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1 comentário

  1. Luiz Augusto da Silva disse:

    Prezados leitores. Boa tarde. Tudo bem?

    Ratifico, religiosamente, o comentário que postei à matéria ” Guarani inicia safra com missa celebrada por bispos com previsões otimistas de produtividade”, publicada nesta data (08) com riqueza de detalhes, graças ao amor que o meu amigo jornalista Leonardo, dedica à profissão que muito bem a exerce.

    Abraços, do poeta olimpiense,

    Luiz Augusto da Silva,

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