Dos 32 municípios da região, Olímpia está em oitavo em demissões de dezembro
O mercado de trabalho formal na região Noroeste paulista sofreu forte retração em dezembro, fazendo com que o acumulado do ano desabasse. Dos 32 municípios relacionados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apenas dois conseguiram resultado discretamente positivo.
Olímpia ficou em oitavo lugar no ranking das demissões na região noroeste, com saldo negativo de 949 demissões em dezembro, no entanto, o saldo de vagas ficou positivo em 473 ofertas.
A região somou, só em dezembro, o encerramento de 19.486 postos, fazendo com que o resultado anual ficasse em apenas 9.593 vagas abertas. Apesar do número positivo no saldo anual, o resultado é 49,5% inferior ao registrado em 2008, quando foram gerados 19.003 empregos. No mês passado, os melhores desempenhos foram registrados pelos municípios de Votuporanga e Auriflama. Na primeira, o comércio ajudou no resultado positivo e, em segunda, a indústria foi a responsável pelo desempenho.
Votuporanga terminou dezembro com saldo de nove vagas, resultado de 532 contratações e 523 demissões e Auriflama, com saldo de cinco vagas, resultado de 67 admissões e 62 desligamentos. As duas cidades ocupam as melhores colocações entre as 350 cidades paulistas, em 32º lugar e 35º lugar, respectivamente.
Os piores desempenhos foram registrados em Bebedouro, Santa Adélia e Novo Horizonte, municípios com perfil econômico mais focado na agropecuária, com destaque para o setor sucroalcooleiro. Foi justamente a agropecuária o setor com maior número de demissões. Nos três municípios, chegou a 7.030 perdas.
Bebedouro perdeu 2.916 vagas, resultado de 392 contratações e 3.308 demissões, e ficou na 343ª colocação no ranking paulista. Em seguida, aparece Santa Adélia, que fechou 2.407 empregos, fruto de 21 contratações e 2.428 demissões. O município ficou na 339ª colocação. Novo Horizonte surge na 335ª posição do ranking, com perda de 2.081 vagas, resultado de 65 admissões e 2.146 desligamentos.
Agronegócios
Representantes do setor do agronegócio, que influenciou fortemente nas demissões, atribuem o resultado a diferentes fatores. Para o presidente do Sindicato Rural de Fernandópolis, Marcos Mazeti, a crise dos frigoríficos da região, envolvidos em processos judiciais, a queda na rentabilidade de algumas culturas, como a laranja, e o aumento do arrendamento de terra para a cana-de-açúcar são responsáveis pelo diminuição da mão-de-obra. “Para 2010, a perspectiva para quem trabalha com matéria-prima e agrega valor é boa, mas para o produtor ainda faltam incentivos como acesso ao crédito e seguro agrícola.”
O presidente do Sindicato Rural de Rio Preto, Sérgio Expressão, acrescenta que a expansão do cultivo de cana também colabora para o resultado negativo. “As usinas estão investindo em mecanização e dispensando trabalhadores”, afirmou. Além disso, ele afirma que está havendo uma migração do trabalhador rural para o setor da construção civil. “Os trabalhadores estão deixando o campo para ir para a cidade.”
Meta não é atingida
Demissões acima da expectativa no final do ano frustraram a meta do governo de atingir a meta de gerar 1 milhão de empregos formais em 2009. No ano passado, foram criados 995.110 postos de trabalho com carteira assinada, o pior resultado desde 2003 – primeiro ano da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado refletiu a perda de 415.192 vagas somente em dezembro – número que ficou acima da média normalmente verificada nesse período, sugerindo que a recuperação do mercado de trabalho pode não estar ainda tão consolidada como parecia.
A perda de empregos foi menor do que a verificada em dezembro de 2008, no auge da crise, quando 654.946 vagas foram fechadas. Em dezembro, todos os setores acompanhados pelo Caged – extrativo mineral, indústria de transformação, construção civil, serviços, administração pública e agricultura – demitiram mais que contrataram. No ano, no entanto, apenas a agricultura não reverteu os número negativo e fechou 15.369 vagas.
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