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Dos 32 municípios da região, Olímpia está em oitavo em demissões de dezembro

Publicado em 21 de janeiro de 2010 às 17h11
Atualizado em 21 de janeiro de 2010 às 17h11

O mercado de trabalho formal na região Noroeste paulista sofreu forte retração em dezembro, fazendo com que o acumulado do ano desabasse. Dos 32 municípios relacionados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apenas dois conseguiram resultado discretamente positivo.

Olímpia ficou em oitavo lugar no ranking das demissões na região noroeste, com saldo negativo de 949 demissões em dezembro, no entanto, o saldo de vagas ficou positivo em 473 ofertas.


A região somou, só em dezembro, o encerramento de 19.486 postos, fazendo com que o resultado anual ficasse em apenas 9.593 vagas abertas. Apesar do número positivo no saldo anual, o resultado é 49,5% inferior ao registrado em 2008, quando foram gerados 19.003 empregos. No mês passado, os melhores desempenhos foram registrados pelos municípios de Votuporanga e Auriflama. Na primeira, o comércio ajudou no resultado positivo e, em segunda, a indústria foi a responsável pelo desempenho.

Votuporanga terminou dezembro com saldo de nove vagas, resultado de 532 contratações e 523 demissões e Auriflama, com saldo de cinco vagas, resultado de 67 admissões e 62 desligamentos. As duas cidades ocupam as melhores colocações entre as 350 cidades paulistas, em 32º lugar e 35º lugar, respectivamente.

Os piores desempenhos foram registrados em Bebedouro, Santa Adélia e Novo Horizonte, municípios com perfil econômico mais focado na agropecuária, com destaque para o setor sucroalcooleiro. Foi justamente a agropecuária o setor com maior número de demissões. Nos três municípios, chegou a 7.030 perdas.

Bebedouro perdeu 2.916 vagas, resultado de 392 contratações e 3.308 demissões, e ficou na 343ª colocação no ranking paulista. Em seguida, aparece Santa Adélia, que fechou 2.407 empregos, fruto de 21 contratações e 2.428 demissões. O município ficou na 339ª colocação. Novo Horizonte surge na 335ª posição do ranking, com perda de 2.081 vagas, resultado de 65 admissões e 2.146 desligamentos.

Agronegócios

Representantes do setor do agronegócio, que influenciou fortemente nas demissões, atribuem o resultado a diferentes fatores. Para o presidente do Sindicato Rural de Fernandópolis, Marcos Mazeti, a crise dos frigoríficos da região, envolvidos em processos judiciais, a queda na rentabilidade de algumas culturas, como a laranja, e o aumento do arrendamento de terra para a cana-de-açúcar são responsáveis pelo diminuição da mão-de-obra. “Para 2010, a perspectiva para quem trabalha com matéria-prima e agrega valor é boa, mas para o produtor ainda faltam incentivos como acesso ao crédito e seguro agrícola.”

O presidente do Sindicato Rural de Rio Preto, Sérgio Expressão, acrescenta que a expansão do cultivo de cana também colabora para o resultado negativo. “As usinas estão investindo em mecanização e dispensando trabalhadores”, afirmou. Além disso, ele afirma que está havendo uma migração do trabalhador rural para o setor da construção civil. “Os trabalhadores estão deixando o campo para ir para a cidade.”

Meta não é atingida

Demissões acima da expectativa no final do ano frustraram a meta do governo de atingir a meta de gerar 1 milhão de empregos formais em 2009. No ano passado, foram criados 995.110 postos de trabalho com carteira assinada, o pior resultado desde 2003 – primeiro ano da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado refletiu a perda de 415.192 vagas somente em dezembro – número que ficou acima da média normalmente verificada nesse período, sugerindo que a recuperação do mercado de trabalho pode não estar ainda tão consolidada como parecia.

A perda de empregos foi menor do que a verificada em dezembro de 2008, no auge da crise, quando 654.946 vagas foram fechadas. Em dezembro, todos os setores acompanhados pelo Caged – extrativo mineral, indústria de transformação, construção civil, serviços, administração pública e agricultura – demitiram mais que contrataram. No ano, no entanto, apenas a agricultura não reverteu os número negativo e fechou 15.369 vagas.

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