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EXCLUSIVO: Delegado exonerado vai recorrer ao Governador e até à Justiça: "Não cometi nenhum ilícito e nem improbidade"

Publicado em 10 de junho de 2010 às 18h34
Atualizado em 18 de junho de 2010 às 11h26

vendramel * “Entendo que o governador queira ‘limpar a Polícia’, mas deve ser feito com bom-senso e não de forma equivocada e ao arrepio das decisões favoráveis que tive, tanto do Tribunal de Justiça, quanto do Conselho da Polícia Civil do Estado” (Eduardo José Vendramel ao Blog, hoje).

Em entrevista exclusiva ao Blog, assim que soube de sua exoneração em ato assinado pelo governador Alberto Goldman, o ex-delegado de Polícia Civil, do 1° Distrito Policial de Olímpia, Eduardo José Vendramel disse que irá recorrer, primeiramente, ao governador e, depois, buscará, se for o caso, o retorno à suas funções na Justiça.

Clique abaixo para saber todos os detalhes revelados acerca deste caso, e ouvir a íntegra da entrevista feita pelo blog com o ex-delegado, por telefone, na tarde de hoje (10). “Acompanho o seu blog, está de parabéns pelo trabalho, e por ouvir os dois lados da notícia. Se eu tivesse a chance que estou tendo hoje, talvez, o resultado não fosse a minha exoneração”, desabafou Vendramel.

“É sabido que, em 2005, houve uma grande reforma das delegacias em Olímpia, com verbas do Estado e auxílio da comunidade, e que houve mão-de-obra de alguns presos nessas unidades. Após o término delas, eles não poderiam retornar ao convívio dos demais presos, pelas suas condições de sociabilidade, daí passei a procurar trabalho para eles fora da cadeia, e isso até o prefeito Geninho Zuliani pode atestar, já que procurei, na época, a empresa do irmão dele, a Constrani, depois procurei na Ferrasa, e ninguém quis disponibilizar mão-de-obra para eles”, relata o delegado ao Blog.

“Eu estava construindo a minha residência no Thermas Park (condomínio), daí perguntei ao empreiteiro se eu poderia colocar os presos para trabalhar em momentos de folga de seus trabalhadores. Ele disse que sim, e que os dias que trabalharem seriam remunerados”, prosseguiu Vendramel.

Segundo ele,  “tudo prosseguiu normalmente, há recibos comprovando que receberam, a prefeitura dava-lhes cestas básicas, portanto eu estava reintegrando-os à sociedade. Num belo dia, denunciaram que eu estava usando mão de obra escrava, essas bobagens todas. Foram ao local, deu aquela publicidade negativa que me prejudicou demais. Se tivessem ouvido o outro lado, a minha verdade, talvez o desfecho hoje fosse outro, que é o que estou fazendo hoje (ao blog)”.

O ex-delegado disse que, a partir daí, foi instaurado um procedimento administrativo, um inquérito policial e uma ação civil pública solicitada pelo Ministério Público. O inquérito policial foi arquivado, pouco tempo depois, o procedimento administrativo continuou o seu curso, e da ação civil pública resultou que a juíza da Comarca de Olímpia entendeu que ele deveria ser demitido, o delegado recorreu no Tribunal de Justiça, que, por sua vez, não acolheu a decisão da juíza de Olímpia, absolvendo-o de todas as acusações.

Com esse resultado reformado no TJ, Vendramel anexou-o ao procedimento administrativo aberto pela Polícia Civil. Aliás, o Conselho da Polícia Civil, com seus 11 delegados, absolveu Vendramel por unanimidade, entendendo que ele não cometeu nenhum ato de improbidade administrativa e os seus membros pediram a absolvição dele ao delegado-geral do Estado de São Paulo.

“Como o caso teve ampla repercussão, o delegado-geral entendeu que eu era passível de uma suspensão foi cumprida e revertida em multa, ou seja, o meu salário foi diminuído, e eu não contente com essa decisão, porque entendo que não cometi nenhum delito, nem ato de improbidade, juntei a decisão do Tribunal de Justiça no meu processo e recorri. O que aconteceu? Além de não reconhecer a decisão do TJ, de não me absolver da suspensão, o governador achou que cometi um ato de improbidade, ao arrepio até do Conselho da Polícia Civil que entendeu o contrário, e me condenou à demissão”, afirma o ex-delegado.

Para ele, “foi um equívoco muito grande, que eu próprio irei recorrer, primeiramente ao governador, preliminarmente, pedindo para que ele reveja a decisão, e caso não seja revisto vou impetrar Mandado de Segurança, ou Ação Civil, junto à Fazenda Pública, para que o próprio Tribunal decida sobre isso, ou seja, que ele mantenha o seu próprio entendimento”.

Vendramel desabafa: “Eu tenho 20 anos de carreira. Minha família é de policiais, minha esposa é delegada, meu sogro e cunhado são policiais. Recebi muitos elogios nestes anos todos. Sou cidadão honorário de Severínia (comarca de Olímpia), aliás recebi títulos de Cidadania de todas as cidades que passei. Ninguém levou isso em conta. Essa foi a primeira mancha em minha ficha, não acho justo, não é correto, vou, sim, recorrer, e tenho a certeza que vou voltar às minhas funções”.

RÁDIO BLOG

Ouça a entrevista na íntegra com Eduardo Vendramel:

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O DESPACHO DO TJ

O Tribunal de Justiça não considerou imoral o fato de Vendramel ter posto presos para trabalharem, mesmo sendo em sua residência. Quer conhecer a íntegra do despacho a favor do ex-delegado?

***

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5 comentários

  1. Vanderlei Cavalcante disse:

    REALMENTE UM ABSURDO!
    O DOUTOR VENDRAMEL É UMA PESSOA JUSTA, HONESTA, RESPONSÁVEL E UM ÓTIMO PROFISSIONAL POLICIAL.
    VEJO QUE ESSA DECISÃO FOI INJUSTA E, NO MÍNIMO
    DESPROPORCIONAL.
    ACREDITO QUE O DOUTOR VENDERAMEL VAI REVERTER ESSE JULGADO.
    FORÇA E FÉ!
    VANDERLEI CAVALCANTE

  2. eugenio pedro bibiano timoteo dos santos disse:

    tenho certeza que a justiça sera feita, mas tem quem, entrar com mandado de segurança. urgente…..ok.

  3. Daniela Bornin disse:

    Lamentável essa decisão, acho que a cidade de Olímpia vai perder um respeitável profissional. Não conheço o caso, contudo, insta mencionar que pelas declarações do Dr. Vendramel ao Blog, o mesmo apenas tentou, de forma humana, cooperar com a finalidade primordial da pena: a ressocialização do apenado.
    Da mesma forma, o Conselho Nacional de Justiça e os Governos Estaduais, inclusive, do Estado de São Paulo, garantem, atualmente, o trabalho aos presos e egresso mediante acordo de cooperação com empresas privadas e cotas em licitações públicas, como forma de retorno ao convívio social (Programa Começar de novo- CNJ e Program pró-egresso de SP).
    Assim, como advogada, e, especialmente, por defender em dissertação de mestrado que existe um ” direito fundamental à ressociliação” e, por acreditar que somente com trabalho e ocupação lícita se pode reverter o caos da situação prisional brasileira, é lamentável que os poderes constituídos apliquem uma pena tão drástica à um servidor idoneo, que buscava tão somente a reinserção social do preso. Importante mencionar que a sociedade, por sua vez, mesmo que a pessoa do preso cumpra sua pena e retorne ao convívio dificilmente o aceita de volta, o que gera desemprego e miserabilidade, ocasionando, a ociosidade, reincidência e o retorno à prisão. Existem em nosso país, inúmeros casos graves praticados por servidores públicos que, efetivamente, são passíveis de punição. A decisão merece reparo e deve ser revista! É injusta e desproporcional. Finalizo dizendo que já sofri muitas injustiças, acusações caluniosas, abalos morais, ofensas pessoais, por considerar e respeitar os direitos humanos dos menos favorecidos e, especialmente, dos presos. Sei o quanto é díficil atravessar determinadas situações, mas o ” metal puro não pode temer o fogo”!
    Tenho certeza que isso será revertido “à bem do serviço público” e da Policia Civil do Estado de São Paulo, que carecem de pessoas idôneas como o Dr. Vendramel.

  4. Eduardo Vendramel disse:

    Senhores e senhoras que se manifestaram neste espaço em meu favor, em especial à advogada Dra Daniela Bornin que não tive a honra de conhecer e postou comentário que quase me levou às lagrimas. São comentários como este e mensagens dos amigos que me dão força para lutar ciente de que não estou errado e a não sucumbir à depressão natural deste tipo de circunstância.

    Obrigado

    Eduardo Vendramel

    • Luiz Augusto da Silva disse:

      No ” Tribunal da Consciência” é quando pelo auto Julgamento comprovamos perante ao ” Juiz Superior” a nossa culpa ou a nossa inocência.

      Ilmo Sr Eduardo Vendramel, lendo e ouvindo as suas palavras, embora leigo juridicamente, acredito na fidelidade às suas intenções…às suas declarações.

      Meus respeitosos cumprimentos.

      Atenciosamente,

      Luiz Augusto da Silva – poeta.

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